| Porque os "regimes" quase sempre falham |
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Gostaria antes de qualquer coisa definir o termo dieta. Dieta vem do grego díaita, que significa modo de viver, mas no contexto da alimentação, seria o modo como nos alimentamos diariamente, e neste sentido todos seguimos alguma dieta. Mas na nossa cultura em algum momento associamos o termo dieta a um determinado regime alimentar, geralmente difícil de seguir, que devemos seguir, durante algum tempo, para atingir algum objetivo, quase sempre o emagrecimento. Penso que o erro básico deste conceito esta no durante algum tempo. Se a proposta alimentar for sensata e equilibrada ela deveria ser adotada para o resto da vida, tornando-se uma mudança de hábitos alimentares. Engordar e emagrecer não é matemático Quando falamos em emagrecimento logo pensamos nos grandes vilões, as calorias. Se você quer emagrecer é só reduzir as calorias que você consome diariamente e gastar algumas a mais com atividade física e pronto, você vai ficar magro! Certo? Infelizmente não, você que esta lendo este livro provavelmente já tentou algumas vezes e já viu que esta equação não é tão simples. Cada 500 g de gordura têm cerca de 3600 cal. É só fazer as contas se você produzir um déficit semanal de 3600 cal, você emagrece 500 g por semana, 2 kg por e 24 kg por ano, certo? A conta esta correta, mas nosso corpo não é maquina e tem lá seus mecanismos para se preservar, que veremos mais adiante. Este método de cortar as calorias funciona bem no inicio de qualquer dieta, mas só até o corpo perceber o que esta acontecendo, e então tomar suas providencias para corrigir. Felizmente, ou não para alguns, a evolução da espécie humana nos tornou seres acumuladores de gordura, mecanismo este que nos possibilitou passar por inúmeras privações e mesmo assim conseguir sobreviver e evoluir. Antigamente pensávamos que as funções do tecido gorduroso eram apenas armazenar energia e funcionar como um isolante térmico. Mas atualmente este conceito esta muito ampliado, ao ponto de se considera-lo um órgão, que além das funções de isolar e armazenar, produz algumas substancias que tem ação pelo corpo todo. Mas voltemos a contar as calorias para entender porque acabamos sem atingir o nosso objetivo. Quando fazemos uma restrição calórica de curto prazo o corpo perde peso, mas este peso não é apenas gordura, perdemos também água tecido muscular. Se prosseguirmos com a dieta de poucas calorias, a perda de peso diminui progressivamente até fazer um platô. É neste momento que muitos param a dieta e voltam aos hábitos alimentares anteriores engordam novamente tudo que emagreceram e mais um pouco. Neste ponto quero fazer uma observação que julgo extremamente importante, qualquer dieta que leve o paciente a passar fome, esta fadada ao insucesso. Um corpo que passa muito tempo em jejum esta sendo programado para guardar o maximo de gordura que puder na próxima refeição. Pense nisso! Procure se organizar para ter 3 refeições maiores e 2 ou 3 menores durante o dia, assim em nenhum momento a fome vai controlar você, e suas escolhas alimentares serão mais sensatas. Mas voltando ao platô, por que ele ocorre?De uma forma bem simplificada, nosso corpo percebeu que o volume de comida diminuiu, e se adaptou a isso, passando para um modo econômico, gastando poucas calorias e de uma forma mais inteligente, sem desperdícios. É este mecanismo que nos permitiu como espécie humana, sobreviver a períodos de escassez de alimentos, que ocorreram inúmeras vezes em nosso planeta. Isso explica porque muitas pessoas, principalmente mulheres engordam mesmo comendo muito pouco, o metabolismo esta ficando lento. Mais adiante veremos algumas soluções para este quadro metabólico. Em suma, as dietas altamente restritivas em algum momento farão com que o individuo volte a engordar, gerando o efeito sanfona. Como resolver este problema? Começamos nosso raciocínio pensando em cortar calorias, e já vimos que este método tem suas limitações já no curto e médio prazo, pois o corpo entra no modo econômico e gasta cada vez menos calorias. Outro caminho é fazer com nosso organismo gaste mais energia. Isso nós podemos conseguir aumentando o nosso ritmo metabólico, como veremos mais adiante. Penso que o melhor caminho para conseguirmos um emagrecimento consistente e duradouro, seria um tratamento voltado para aumentar o gasto calórico, com uma redução discreta na ingesta calórica, algo entre 10 e 20% das calorias totais diárias. Uma redução calórica discreta, além de ser fácil de colocar em pratica, é hoje a única estratégia comprovada cientificamente que pode reduzir o nosso ritmo de envelhecimento! Você fica mais magro e de quebra ganha uns anos a menos na aparência e na suade.
Dr. Fabio Pisani
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